Serra da Piedade, no Quadrilátero Ferrífero

Foto de vista panorâmica das serras a partir da Serra da Piedade

A Serra da Piedade, localizada na divisa dos municípios de Sabará e Caeté no Quadrilátero Ferrífero, centro leste de Minas Gerais, constitui um importante sítio geológico associado à história da exploração do interior do Brasil pelos bandeirantes e à evolução geo-ecológica da Terra.
Apresenta ótimas exposições de itabiritos da Formação Cauê (Supergrupo Minas) que indicam mudanças na composição da paleo-atmosfera iniciadas na passagem do Arqueano para o Proterozóico. Seu valor científico e paisagístico foi reconhecido no século XIX nos relatos de viajantes, tais como Saint-Hilaire e os naturalistas alemães Spix, Martius e Eschwege.

A partir de 1760, a Serra tornou-se também um referencial religioso com a construção de uma capela. Em 1956 o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou parte do conjunto paisagístico e arquitetônico da Serra da Piedade, seu tombamento com um perímetro maior foi concluído pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA-MG) em 2005.

Foto de vista panorâmica da Serra da Piedade
O Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais apresenta um patrimônio geológico ímpar com valores associados, principalmente, à evolução geo-ecológica da Terra e à história da mineração da região, desde o ciclo do ouro dos séculos XVII e XVIII até a mineração do ferro dos dias atuais. Dentre os sítios representativos desse patrimônio geológico está a Serra da Piedade, que constitui um importante geossítio, não somente de interesse científico (geológico e botânico), mas também pedagógico, turístico, paisagístico e cultural, pois apresenta uma paisagem geológico-cultural única e sua proteção deve ser não só de interesse de Minas Gerais como de todo o Brasil.

A Serra da Piedade faz parte do conjunto da Serra do Curral, que constitui um homoclinal invertido do Supergrupo Minas. Sua crista é formada pelos itabiritos da Formação Cauê que encerra diversos corpos de minério hematítico. Destaca-se na paisagem com sua exuberância, oferecendo do seu alto, de fácil acesso, uma vista panorâmica de 360º desde a Serra do Espinhaço e da bacia do Rio das Velhas (Lagoa Santa) ao norte, Belo Horizonte ao poente e boa parte do Quadrilátero Ferrífero ao sul, incluindo a Serra do Caraça.

Localização
O maciço da Serra da Piedade está localizado na divisa dos municípios de Sabará e Caeté, MG, cerca de 50 km a nordeste de Belo Horizonte (coordenadas geográficas 43°40’33”W; 19°49’20”S; UTM E 638.669, N 7.807.634; altitude 1746m), formando a extremidade oriental da Serra do Curral, na borda norte do Quadrilátero Ferrífero. O acesso ao pico pode ser feito a partir de Belo Horizonte pela BR 381 até o trevo de Caeté, de onde se segue por uma estrada asfaltada com aproximadamente 6 km de extensão que sobe a serra.

Serra da Piedade, Iron Quadrangle, State of Minas Gerais: from the myth of Sabarabuçu to historical, geological, natural e religious heritage The Piedade Mountain Range (The Mountain of Our Lady of Pity) is situated between the towns of Sabará and Caeté at the northern border of the Quadrilátero Ferrífero (Iron Quadrangle) of Minas Gerais, Brazil. It represents an important site of geological heritage, due to its excellent exposures of banded iron formation (itabirite) of Paleoproterozoic age, which indicates a change of the global atmosphere. It is also intimately related to the history of gold exploration in the Brazilian hinterland during the 17th century.
Its scientific value as well as the beautiful landscapes was acknowledged since the early 19th century by many European travelers. With the construction of a small chapel on top of the mountain in the 1760’s, it became also a religious reference. Both, the National and the State Institute of Historic and Artistic Heritage included the site in their lists of natural and cultural heritage.

Fonte: Serra da Piedade, Quadrilátero Ferrífero, MG: da lenda do Sabarabuçu ao patrimônio histórico, geológico, paisagístico e religioso. Por Úrsula Ruchkys de Azevedo, Friedrich Ewald Renger, Carlos Maurício Noce e Maria Márcia M. Machado. Em Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil (Sigep)

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